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16 de abril de 2017

Mãe.

Estamos a chegar a mais uma Páscoa!
 A 11ª desde aquela em que a vimos serenamente partir deste mundo, deixando um vazio muito grande na minha vida .
Mãe , a Páscoa não tem culpa, mas porquê ? Dou comigo a pensar tantas vezes: a primeira Páscoa em que fui imensamente feliz , me parecia que o mundo era um “céu aberto”, recebi das mãos de Deus  a minha primeira filha.
Nada até aí tinha feito rejubilar de tal forma o meu coração e feito resplandecer a minha alma!
Ser mãe! Uma bênção Divina , um estado de alma que transparece  no nosso olhar, nos nossos gestos e nos faz sentir uma  força  capaz de “virar o mundo”!
Desde esse dia vi nos seus olhos mãe, a alegria , a ternura,  a emoção , o carinho, quando embalava a minha filha , lhe cantava as cantigas de antigamente e lhe ensinava a dizer algumas palavrinhas.
Essa neta que tinha vindo ao Mundo na véspera do seu aniversário mãe!
Também assistiu anos depois à sua partida deste mundo Mãe, nesse sábado de Aleluia! Sábado em que Cristo ressuscitou!
A Páscoa não tem culpa, eu sei, mas recorda-me  felicidade e tristeza. Porque aconteceu assim?
Queria mãe, querido pai:
Também Já não temos o nosso Zé!
O vosso primeiro menino e muito meu querido mano!
Aquela doença que nos tirou o pai, tirou-nos também o nosso Zé!
Ele partiu há quase nove meses.
Os vossos bisnetos são oito e todos eles muito lindos e saudáveis. Inteligentes!
A vossa casinha não aguentou todo este tempo desabitada e uma parte, aquela do sobrado , está em ruínas!
Mas há esperança de que o António a reabilite!
Querido pai, a sua partida foi um momento só nosso e de Deus.
 Difícil esquecer aquele dia 7 de dezembro, mas eu tinha a força e a pouca consciência  inerente aos meus 26 anos!
Como tenho pena que o pai não conhecesse as minhas filhas!
São duas, pai!
Sabe que toda a gente diz que a segunda, a Mafalda, é toda eu?
O pai chamava-me serigaita e que eu amarrava o burro!  Nisto ela é parecida comigo também, eu lembro-me .
Mas são tão lindas as duas!
Os olhos da alma morrem também pai?
Eu creio que não, e estarão a ver-nos e a guiar-nos , o pai , a mãe e o mano Zé.
Meus queridos pais, esta cartinha vai direitinha ao infinito, porque é dia da mãe e foi há pouco o dia do pai, talvez um Anjo vos a leia.
Há uma quadra popular de um autor muito conhecido que me vem muito à memória e é assim:
A ausência tem uma filha
Que se chama Saudade
Eu sustento Mãe e Filha
Bem contra a minha vontade

Dia dos Pais 2017


Fátima Dias





10 de dezembro de 2016

Quando um Homem Quiser" em época de Natal.
Azevinhos.jpgTu que dormes à noite na calçada do relento
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento 
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão
Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão
Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'

21 de novembro de 2016

Traquinices do Outono!

O salgueiro que há très décadas avisto da minha janela , acordou hoje despido, quase nu! 
As suas roupas espalhadas pelo jardim estendiam-se por uma extensa área. 
Pareceu-me até que tremia de frio!
Ainda há pouco mais de um mês, os seus ramos verdinhos e farfalhudos abrigavam e sustinham dois ninhos de pequenas aves que ali criaram os seus filhotes! 
E que alegria nos dava a sua chilreada ao nascer do dia, de bico aberto, enquanto os progenitores se cansavam num vai-vem , na procura de alimento!
Olhei o pobre salgueiro e solidarizei-me inconscientemente com ele!
Também senti frio!
Os musgos parasitas começam a subir-lhe pelo tronco, como a mim se me arrepia a pele com as temperaturas a descer!
A sua vizinha Tileira também se nota triste e amarelecida! Só as verde-escuras casuarinas , altas, de longas agulhas descaídas, que nem para abrigar os ninhos servem, se mantêm impávidas e serenas! 
Estas resistem a todas as tempestades, a todas as estações do ano!
Primavera volta depressa! Tràs-nos côr e alegria!
Dias longos e muito sol, andorinhas em voos razantes a piar de felicidade pelo regresso e o salgueiro  colorido , de tons verdes claro/escuro, a bambolear-se , ao romper do dia quando abro a minha janela.

6 de novembro de 2016

Dia de Finados!


A gaivota que sobrevoa com grito triste este espaço de silêncio, leva sem destino com ela o meu pensamento.
Sei para onde quero que ela me o leve, não a sigo com o olhar mas adivinho o rumo que o seu voo toma!
Vaguei por entre gente, ora em silêncio, ora soltando desabafos-lamentos!
Comentam o tema do dia, a tradição que se mantem de rumar aos cemitérios para homenagear os nossos ente queridos que partiram .
Gostamos de embelezar as campas e iluminá-las ! 
Aprendemos isso com os nossos antepassados, mães, pais e avós e gostamos de continuar esses costumes!
A morte , sendo a última etapa da vida, ainda é um mistério por desvendar! Não sabemos o que está para lá daquela Cortina Negra , que nunca mais nos deixa ver os nossos! Apenas os vemos com os olhos da memória!
Fico mais um pouco! 
Neste dia, este jardim, silencioso, dá-me tristeza e paz. Vou reparando nos multiplos epitáfios a evocar de forma sentida a memória dos que ali jazem , oiço a chilreada dos pássaros que saltitam alegremente nas aciprestes e aproveito a companhia de uma amiga no regresso a casa de mais uma romagem de dia de Finados!

3 de outubro de 2016

Meu querido amigo/confessor!


Sabes? Tem me faltado a coragem para te vir contar, o que os meus olhos já viram , desde a última conversa que tivemos! 
Foi tudo tão brutal, querido amigo!
Olha: tive notícias de foro médico sobre a minha incapacidade funcional por causa deste joelho que me tem atormentado e aceitei tudo o que me propuseram fazer, mas quase sem resultado, ou melhor, melhoria!
O raminho velho que te ia falando, tombou de vez a 17 de julho e foi muito, muito doloroso vê-lo tombado, metido numa caixa de madeira a descer à terra! 
Nem te consigo descrever  a dimensão daquela dôr!
Não sinto que tenha agora só um irmão! Não! O Zé . continua meu irmão, embora não esteja visível! Ou seja não está físicamente, mas é o meu irmão Zé!
Como os pais! Estão cá! Dentro da nossa memória! 
A ti Lucinda na semana passada também partiu e a irmã Joaquina dois meses antes.
 Elas chegaram um pouco mais à frente em idade, os netos são adultos já. 
O Zé ainda tinha os seus netos pequenos
.Ele não queria partir de cá, mesmo com muito sofrimento! Às vezes a natureza parece cega!
Tenho andado por aí, um pouco à deriva para fugir disto!
Ah! e falta dizer te ! A Maria ficou adoentada! ASSUSTOU- NOS ! 
Abalámos a caminho de Londres sem exitar, ver o que acontecia!
Estou inquieta e triste.
Virão dias menos maus?